Há algo dentro em mim
E não consigo fazer sair
Faz o tempo rastejar
Me impede de sorrir
Olho para a rua
Lá eu me vejo
Andando entre as poças
Sufocando meu desejo
Minhas lágrimas inundam a cidade
Minha escuridão encobre o céu
A agua molha meu corpo
Fico envolta num gelado véu
O vazio preso em meu peito
É o vácuo que invade o universo
Meus pés estão gelados
Meu pensamento, submerso
Todos consultam a meteorologia
Então sabem como me sinto
Nublada, sujeita a chuvas, trovoadas
Por período indefinido
3.4.08
26.3.08
Não sei o que fazer
Acho que gosto de você
Mas não saberei dos sentimentos seus
Antes de ter certeza dos meus
Penso que poderia estar iludida
Já que não entendo muito da vida
Se eu me abrir e nada acontecer
Posso provocar e também sofrer
Solto um sorriso com suas palavras
Mas as vezes em que estive errada
Certamente não foram muito raras
Tenho medo de me enganar
Antes de tudo quero ser levada
Pelo seu corpo, pelo seu olhar
Por
Mari
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14:55
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Em: poesia
3.2.08
A escola de samba toca na sala
Nesta cadeira, eu e a solidão
No feriado da luxúria e alegria
Fica acesa a imaginação
Estou com homens que não estive
Amo muito pois nunca amei
Vesti em você o personagem
Na ilusão de que me apaixonei
Mas logo chega a realidade
Aplaca a minha ansiedade
Enxergo que não é perfeito
O cinema sempre me engana
Estava mesmo insana
Você pra mim não foi feito
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Mari
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23:36
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Em: poesia
28.1.08
Eu tenho um desejo
Mas mal me manifesto
Ele não sabe, decerto
Eu mesma não sei
Nunca foi correspondida
Com o tempo cansou
Não separa o que é desejo
Como alguém que nunca amou
O objeto deste seria o fim
Ou então seria o meio?
É aí que reside meu receio
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Mari
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17:16
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Em: poesia
30.12.07
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Mari
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Feliz Ano Novo!
Um 2008 de vidas preenchidas
Tardes e noites coloridas
(e menos rimas tão batidas)
Que esses 366 dias me levem a um lugar melhor no final... E desejo o mesmo para quem o fim da ano anda meio (ou completamente) abatido. E que as coisas melhores pra quem tá com tudo bem tbm, neh?
Por
Mari
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00:43
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16.12.07
Aqueles por quem tenho carinho
Os perdi pelo caminho
Fico presa no passado
Quando andávamos lado a lado
Será que ainda pensam em mim?
Será que não chegou o fim?
Não saber como demonstrar
Não quer dizer que não sei gostar
Por receio de não ser querida
Também não os procuro
Com a distância aumentando
Qualquer conversa é tatear o escuro
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Mari
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22:29
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Em: poesia
9.12.07
Faz muito tempo
Mas sei que minha vida mudou
Alguém para estar perto
Alguém para dar amor
Não pude escolher
Não dependia de mim
Não tem problema
Estou contigo até o fim
Entre o amor e o ódio
Sentimos sempre quem vai vencer
Afinal você é quase eu
E eu sou quase você
Por
Mari
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21:58
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Em: poesia
3.12.07
" (...) a solidão é pretensão de quem fica escondido, fazendo fita."
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Mari
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30.11.07
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!...Sem Remédio - Florbela Espanca - do Livro de Mágoas (como quase tudo dela que coloco aqui)
A solidão me mata
Aperta o peito
Afiada como faca
Sufocante como nada
Receio perder a juventude
Sem sorrir, sem viver
Esperando que isso mude
Sonhando com o que não pude
Me afogando em rotina
Para não pensar
A angústia dói
Sinto o tempo passar
Por
Mari
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13:43
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Em: poesia
20.11.07
LÁGRIMAS OCULTAS
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida ...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Por
Mari
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17:49
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12.11.07
Ando pela cidade
Solidão a me rondar
Sinto falta de um amigo
Alguém pra rir, alguém pra chorar
Amizades são flores raras
Plantas estas que não sei cultivar
Não sei como ajo e, quando reparo,
As pétalas já estão a murchar
Será que se importam
Como eu me importo?
Será que sentem saudade
Como eu sinto?
Quase sem perceber
Relações eu corto
Mas meu carinho é sincero
Mesmo distante, não minto
Por
Mari
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10:32
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Em: poesia
8.11.07
O peito aperta
O ar passa com dificuldade
*suspiro*
É duro encarar a verdade
Há algo incompleto
Meu mundo não gira
A vida cansa
Talvez o que sinto é mentira
Entre realizações e frustrações
Não controlo minhas ações
Não compreendo minhas emoções
Não conquisto minhas paixões
O que faço não é natural
Há uma nuvem negra no meu encalço
Não sei quando é real
Não sei quando é falso
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Mari
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15:08
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Em: poesia
26.9.07
O que é o flerte? Pode-se dizer que é um comportamente que deve dar a entender que uma aproximação sexual é possível, sem que essa eventualidade possa ser entendida como uma certeza. Em outras palavras, o flerte é uma promessa de coito, mas uma promessa sem garantia.
Tereza está de pé atrás do balcão do bar e os clientes a quem serve bebidas fazem-lhe propostas. Será que acha desagradável esse assédio contínuo de elogios, de subentendidos, de histórias picantes, convites, sorrisos e olhares? Absolutamente. Sente um desejo incontrolável de oferecer seu corpo, de entregá-lo a esses chamados.
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Mari
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15:57
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Em: alheia
25.9.07
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.Poema em linha reta - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Um erro constatado
Um dedo para mim apontado
Sinto uma humilhação solitária
É dentro de mim, mais nada
Para o fracasso sou conduzida
Incorreções tomam-me a vida
Pensava mal de quem corrige
Mas é atitude que compaixão exige
Olhos percorrem de cima a baixo
Faço parte de um cenário decadente
Então, que me importa ser decente?
É um mundo em que não me encaixo
Vem um pensamento recorrente
Não sei quem é sincero e quem mente
Por
Mari
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21:07
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Em: poesia
