3.4.08

Há algo dentro em mim
E não consigo fazer sair
Faz o tempo rastejar
Me impede de sorrir

Olho para a rua
Lá eu me vejo
Andando entre as poças
Sufocando meu desejo

Minhas lágrimas inundam a cidade
Minha escuridão encobre o céu
A agua molha meu corpo
Fico envolta num gelado véu

O vazio preso em meu peito
É o vácuo que invade o universo
Meus pés estão gelados
Meu pensamento, submerso

Todos consultam a meteorologia
Então sabem como me sinto
Nublada, sujeita a chuvas, trovoadas
Por período indefinido

(meio sem unidade, mas gostei das imagens)

26.3.08

Não sei o que fazer
Acho que gosto de você
Mas não saberei dos sentimentos seus
Antes de ter certeza dos meus

Penso que poderia estar iludida
Já que não entendo muito da vida
Se eu me abrir e nada acontecer
Posso provocar e também sofrer

Solto um sorriso com suas palavras
Mas as vezes em que estive errada
Certamente não foram muito raras

Tenho medo de me enganar
Antes de tudo quero ser levada
Pelo seu corpo, pelo seu olhar

3.2.08

A escola de samba toca na sala
Nesta cadeira, eu e a solidão
No feriado da luxúria e alegria
Fica acesa a imaginação

Estou com homens que não estive
Amo muito pois nunca amei
Vesti em você o personagem
Na ilusão de que me apaixonei

Mas logo chega a realidade
Aplaca a minha ansiedade
Enxergo que não é perfeito

O cinema sempre me engana
Estava mesmo insana
Você pra mim não foi feito

28.1.08

Eu tenho um desejo
Mas mal me manifesto
Ele não sabe, decerto
Eu mesma não sei

Nunca foi correspondida
Com o tempo cansou
Não separa o que é desejo
Como alguém que nunca amou

O objeto deste seria o fim
Ou então seria o meio?
É aí que reside meu receio

30.12.07

As vezes me sinto ridícula escrevendo aqui. A maioria do conteúdo é poesias e não sei se aparenta um tanto pretensioso e patético, como alguém que ouviu q escreve bonitinho com 7 ou 15 anos e continua insistindo nisso. Ainda são mais curtas e rápidas, parece preguiça de escrever, falta de imaginação ou sei lá o q. Se não parece brega, meloso e piegas. Se eu não sei mesmo o que escrever pq não tenho vivência pra me basear em nada. Só nesse tédio mesmo que me impulsiona de forma dolorida e ao mesmo tempo me paralisa. Minha cabeça ferve e não tenho ânimo de colocar isso para fora de forma decente, ou não sei colocar de forma decente, ou tudo isso na minha cabeça é desinteressaste mesmo E talvez eu tenha que ter um impulso de auto crítica e começar a escrever feito doida neste fim de ano para começar bem o próximo. Como se faz pra soltar as amarras? Como se faz pra viver como uma jovem adulta viveria? Como se faz pra uma semana de folga no fim do ano não se tornar um calvário feito de tédio e angústia? Como se faz para não ter uma visão assim tão egoísta que a maior tristeza do mundo vem de mim, da minha solidão com família estruturada, casa, comida e tecnologia pra eu estar escrevendo umas baboseiras online? Como se faz para voltar a ser criança? Como se faz para não julgar tanto, não só aos outros, mas a si mesmo (esse é o primeiro passo)? Meu Deus, cujo nascimento foi comemorado essa semana, me diz, me ensina... Não deve ser lendo O Segredo (ou seus mil filhotinhos) ou repetindo mantras ensinados no programa do Amaury Jr. nesse sábado a noite de quem não tem nada melhor. Eu digito rápido e com uma mão só, eu erro pra caramba, ainda bem que o firefox aponta os erros. haha O que aconteceu de errado? Que este ano me ilumine e me guie para mais um passo, para que eu possa ser mais do que esse projeto de mulher, em todos os sentidos que possa imaginar que eu seja apenas um projeto, não algo pronto e vivendo. E eu entediada nesse pc comecei a escrever, e escrever, e vou escrevendo o que vem na minha cabeça tentando não colocar rédeas, como num brainstorm solitário, apesar de que é impossível que eu não me imponha filtros ou o que for. Deve ter alguma letra ou palavra pulada em algum lugar pq a mão eh menos rápida que a minha cabeça.... Eu quase choro, eu mordo o dedo compulsivamente só pq resolvi soltar e ir escrevendo... E agora, quase mais no final do texto, pouca gente vai aguentar mesmo, eu me solto e vou falando, ou tentando... Como tem sido duros esses duas, como eu chego a quase explodir de perder meu tempo andando pela casa, morta de tédio e ansiedade, sem conseguir fazer nada, me falta a concentração, me falta o ar, sei lá mais o que me falta. Não há o que fazer, e ao mesmo tempo tem alguma coisa, mas é difícil... Eu sento aqui para fazer um trabalho de um curso e vou parar aqui, digitando loucamente e com o peito dolorido de quem não aguenta mais. E vontade de escrever mais, mas não sei o que, só sei que gostei de ficar escrevendo feito uma doida, mas não sei se posso mais. Não sei se sei me aprofundar, não sei se vou me aprofundar, não sei se quero me aprofundar. Ah, que droga viu!

Feliz Ano Novo!
Um 2008 de vidas preenchidas
Tardes e noites coloridas
(e menos rimas tão batidas)

Que esses 366 dias me levem a um lugar melhor no final... E desejo o mesmo para quem o fim da ano anda meio (ou completamente) abatido. E que as coisas melhores pra quem tá com tudo bem tbm, neh?

16.12.07

Aqueles por quem tenho carinho
Os perdi pelo caminho
Fico presa no passado
Quando andávamos lado a lado

Será que ainda pensam em mim?
Será que não chegou o fim?
Não saber como demonstrar
Não quer dizer que não sei gostar


Por receio de não ser querida
Também não os procuro
Com a distância aumentando
Qualquer conversa é tatear o escuro

9.12.07

Faz muito tempo
Mas sei que minha vida mudou
Alguém para estar perto
Alguém para dar amor

Não pude escolher
Não dependia de mim
Não tem problema
Estou contigo até o fim

Entre o amor e o ódio
Sentimos sempre quem vai vencer
Afinal você é quase eu
E eu sou quase você

3.12.07

" (...) a solidão é pretensão de quem fica escondido, fazendo fita."

Pro dia nascer feliz - Barão Vermelho

Veio, do nada, como sempre, essa música na minha cabeça. E reparei nesse trecho. Parece provocação comigo.

30.11.07

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!...

Sem Remédio - Florbela Espanca - do Livro de Mágoas (como quase tudo dela que coloco aqui)


A solidão me mata
Aperta o peito
Afiada como faca
Sufocante como nada

Receio perder a juventude
Sem sorrir, sem viver
Esperando que isso mude
Sonhando com o que não pude

Me afogando em rotina
Para não pensar
A angústia dói
Sinto o tempo passar

20.11.07

LÁGRIMAS OCULTAS

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida ...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago ...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim ...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

PS: Eu estava postando outra e, qdo fui verificar, já tinha sido postada antes

12.11.07

Ando pela cidade
Solidão a me rondar
Sinto falta de um amigo
Alguém pra rir, alguém pra chorar

Amizades são flores raras
Plantas estas que não sei cultivar
Não sei como ajo e, quando reparo,
As pétalas já estão a murchar

Será que se importam
Como eu me importo?
Será que sentem saudade
Como eu sinto?

Quase sem perceber
Relações eu corto
Mas meu carinho é sincero
Mesmo distante, não minto

8.11.07

O peito aperta
O ar passa com dificuldade
*suspiro*
É duro encarar a verdade

Há algo incompleto
Meu mundo não gira
A vida cansa
Talvez o que sinto é mentira

Entre realizações e frustrações
Não controlo minhas ações
Não compreendo minhas emoções
Não conquisto minhas paixões

O que faço não é natural
Há uma nuvem negra no meu encalço
Não sei quando é real
Não sei quando é falso

26.9.07

O que é o flerte? Pode-se dizer que é um comportamente que deve dar a entender que uma aproximação sexual é possível, sem que essa eventualidade possa ser entendida como uma certeza. Em outras palavras, o flerte é uma promessa de coito, mas uma promessa sem garantia.
Tereza está de pé atrás do balcão do bar e os clientes a quem serve bebidas fazem-lhe propostas. Será que acha desagradável esse assédio contínuo de elogios, de subentendidos, de histórias picantes, convites, sorrisos e olhares? Absolutamente. Sente um desejo incontrolável de oferecer seu corpo, de entregá-lo a esses chamados.

Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser

25.9.07

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Poema em linha reta - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


Um erro constatado
Um dedo para mim apontado
Sinto uma humilhação solitária
É dentro de mim, mais nada

Para o fracasso sou conduzida
Incorreções tomam-me a vida
Pensava mal de quem corrige
Mas é atitude que compaixão exige

Olhos percorrem de cima a baixo
Faço parte de um cenário decadente
Então, que me importa ser decente?

É um mundo em que não me encaixo
Vem um pensamento recorrente
Não sei quem é sincero e quem mente

o Fernando Pessoa seria pra um contraste negativo de qualidade? rs